Entre a Vida e a morte.
- Carolina Marcondes
- 14 de nov. de 2017
- 3 min de leitura

Reparo estar sorrindo com sinceridade, como criança, ao olhar os céus. A natureza é divinamente encantadora. Meus pensamentos, então, sobrevoam o seguinte questionamento: por que nós nos sentimos tão angustiados quando lidamos com a morte, se ela é um fenômeno natural, que compõe a harmonia da natureza? A resposta, acredito, começa com uma palavra: olhar. Ele guia a nossa atenção e alimenta a nossa imaginação, já que tudo o que pensamos está ligado a algo que vimos. A chave para entender o aspecto angustiante da morte, então, é: seria possível ver o que ocorre depois dela para, assim, podermos imaginá-la como algo além do que o fim de tudo? Sentado no banco do carro, alguém olha a paisagem atrás da janela passar. Em sua mente, memórias. Problemas vividos no passado, expectativas sobre o presente e muitas ilusões futuras. Por toda a vida, esse alguém está sempre olhando para o mundo e pensando sobre relacionamentos, atitudes e acontecimentos, mas nunca enxergando nada. Nunca pensando sobre a essência das pessoas e da vida. Tudo aquilo que ocupa o seu pensar transforma-se continuamente, é temporário e efêmero. A morte, então, é o fim. Nada mais do que o fim de tudo o que já imaginou e imagina. Assim, muitos, ao lidarem com a morte de alguém, dizem: “ele está em um lugar melhor”, ou “Deus sabe o que faz”. Geralmente, tudo isso não passa de eufemismos- palavras e crenças abstratas não podem verdadeiramente aliviar os nossos corações e nem transformá-los. Tornou-se comum o seguinte pensamento: ter fé é acreditar na ideia de que Deus existe, ou aceitar princípios religiosos. Entretanto, no livro bíblico “Hebreus”, capítulo 11, a fé é descrita breve e perfeitamente: “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem.” Mas, de fato, o que isso significa? Estou em paz quanto à morte não por que creio na ideia de um “paraíso” póstumo. Sou feliz e vivo em paz por que já possuo, em parte, esse paraíso. Nesse contexto, é interessante quando Jesus declara para Nicodemos: “ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo.” (João 3:3) Esse homem, reconhecido por ser muito religioso (um fariseu), não compreende essas palavras. Nicodemos já ouviu falar sobre Deus e sabe muito sobre Ele, mas não o conhece. Segue preceitos religiosos, mas não entende a essência deles. Crê que há vida espiritual, mas não percebe que a sua alma está morta. Quando realmente conhecemos Jesus, o que gera vida espiritual em nós é a comunhão com Ele. Por isso, a vida eterna (ou “paraíso”), que esperamos, não se resume a um lugar, mas sim, à eterna comunhão- observe: não é algo abstrato, mas sim algo que já experimentamos, mesmo que ainda não plenamente. Enxergar essências, ter experiências sobrenaturais, ou perceber em simples acontecimentos a vastidão da perfeição que há por trás deles... Tudo isso nos faz conhecer a realidade do Reino de Deus. É importante esclarecer que esse Reino, que pode ser traduzido como o governo de Deus, não é somente “no céu”, mas sim vem do plano celestial e já pode se realizar em nós. Essa vivência é a fé. Por fim, ler esse texto e achar que ele faz sentido, ou acreditar na possibilidade de tudo isso ser verdade, também não deixa a morte menos angustiante ou traz paz, verdadeiramente. Procurar enxergar e viver essa outra realidade, que está além da morte, sim. Acreditem: não há nada mais incrível e fantástico do que conhecê-la.