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Análise da revelação de Epimênides; os fundamentos da aliança humana com o divino – Parte 2

  • Carolina Marcondes
  • 3 de dez. de 2016
  • 4 min de leitura

​A partir da leitura do relato escrito pelo grego Diógenes, exposto na parte 1, podemos tirar inúmeras conclusões. Procurarei desenvolver uma compreensão mais aprofundada do que compõe, fundamentalmente, a nossa aliança com o Deus único e verdadeiro.

A primeira suposição de Epimênides, que diferenciaria o “deus desconhecido” dos outros deuses, é a de que este deus está de fato interessado no problema que aflige a região, mesmo considerando que ele não está representado em nenhum dos deuses da cidade e, portanto, lhes é desconhecido.

Ou seja, Deus se interessa em nossas vidas e problemas mesmo antes que tenhamos ao menos o conhecido. Antes de sabermos qualquer coisa sobre Ele, o Pai se importa e quer fazer uma aliança conosco para que, a parte daí, Ele opere em nossos problemas. E os maiores problemas são, como Jesus mostrou, aqueles que deturpam o que somos, e não os externos a nós.

A segunda suposição diz questão à natureza divina, sendo o poder e a bondade as características realçadas. Ambas independem de nós; Deus pode fazer algo a respeito das nossas vidas e problemas se apenas pedirmos a sua ajuda, ou até mesmo se não pedirmos, se for de sua vontade e propósito. Deus não manifesta a sua bondade conosco se formos bons, já que esse aspecto condicional faz parte da condição humana, e não da natureza divina. Até por que, se partíssemos desse princípio, ninguém a mereceria. Entretanto, quando ocupamos a mente e o coração com coisas vazias em sentido que provocam a corrupção do nosso ser, fica cada vez mais difícil de experimentar essa bondade divina.

Sobre seu poder, lamento que na contemporaneidade as pessoas, por ignorância, tratem e se refiram ao Deus único com sarcasmo e desrespeito. De fato, o nome e a pessoa de Jesus na cabeça de muitas pessoas “não tem poder algum”. Entretanto, assim como não reconhecer a bondade de Deus não o torna menos bondoso, não reconhecer o seu podero faz com que Ele tenha menos poder sobre nós, seres humanos. O poder de Deus é imensurável, e reconhecer a sua soberania é algo fundamental na compreensão de nossa condição nesse mundo, que habitamos por um período de tempo tão breve. Para quem pensa ser aquilo que a bíblia relata sobre a vida e a obra de Jesus meras metáforas, como eu mesma um dia já pensei ser, fica realmente difícil de dimensionar o poder de Deus. Jesus deixou o Espírito Santo entre nós e, vendo milagres e sinais realizados na minha frente, em mim e até mesmo por meio de mim, cada vez me curvo mais ao Senhor e reconheço o seu poder.

Surge, então, um típico questionamento: por que Deus não faz algo a respeito da maldade que nos acomete se Ele nos ama e pode tudo? Apesar da complexidade e da vastidão de tal resposta, resumo dizendo que se fosse algo simples assim, Ele não precisaria mandar seu Filho para vir a Terra, nos servir, se humilhar e morrer por nós para que tivéssemos acesso à salvação. É uma questão de justiça, e a complexidade do mundo espiritual excede muito a nossa compreensão (o que não invalida a importância de procurar entendê-la, mesmo que limitadamente).

Por fim, gostaria de aprofundar a compreensão da terceira e última suposição. Segundo ela, o deus desconhecido é não só suficientemente grande e bondoso para fazer algo a respeito dos problemas, como também é poderoso e misericordioso o bastante para favorecer a ignorância humana, se esta for reconhecida e, assim, Ele for invocado. Em sua oração, então, Epimênides pronuncia: “(...) se de fato tens compaixão para perdoar-nos e ajudar-nos (...)”. Ao fim do relato, então, o deus desconhecido o responde, eles oferecem sacrifícios a Ele e o problema da praga é solucionado.

Infelizmente, percebo que a fragilidade e o erro estão postos em nossa sociedade como aspectos extremamente negativos e que, portanto, devem ser negligenciados. A autossuficiência e a vaidade são pilares na vida de muitos. Essa atmosfera é mentirosa; a insuficiência, a ignorância e o erro são inerentes à condição humana. E Deus sabe disso. Ao contrário do que muitos pensam, o relacionamento com Ele não exige santidade. O relacionamento com Deus gera santidade, pois conhecê-lo é ter uma cosmovisão verdadeira e sincera, que nos aproxima de nossa verdadeira identidade; a de imagem e semelhança de Deus.

Por fim, após a resposta divina, os atenienses ofereceram sacrifícios ao Senhor. Ou seja, Deus mostrou seu interesse em solucionar o problema que afligia a cidade a partir do reconhecimento de Epimênides de quem ele próprio era e de quem Deus é, mas para que Ele agisse e solucionasse o problema foram necessários sacrifícios por parte dos atenienses. Isso é de essencial compreensão. Se nós não nos movermos e buscarmos abrir espaço para Deus em nossos corações e tempo, Ele acaba ficando limitado de agir em nossas vidas. Temos o livre-arbítrio, e Deus respeita isso; crer nEle não é algo meramente conceitual ou racional, mas ter fé tem um significado que vai muito além, sendo a fé que não implica ações morta.

Finalizo dizendo que as transformações que vem do alto tem início no coração humano, e Deus só age naquilo que é externo a nós se Ele tiver um propósito nisso, sendo este algo que excede a nossa compreensão. Viver sem essa aliança é traçar uma vida comandada por uma falsa autossuficiência e resumida ao que é matéria e, assim, efêmera.


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